segunda-feira, 29 de abril de 2013

Rahma Projekt

"O Rahma Projekt nasceu pelo desejo de criar simplesmente pelo prazer de criar. Sem briefing, sem pressão, sem cliente, sem pretensão. Criando o que eu gosto, como eu gosto, sem me preocupar em ter que dar explicação, fazer sentido ou dar satisfação.

Nada muito inovador ou genial, só um projeto pessoal e experimental. Uma válvula de escape que junta duas das minhas paixões: design e rock'n'roll."


Projeto criado por Rafael Hoffmann Maurilio, que une rock'n'roll e design e resulta em uma arte minimalista divertida e cheia de criatividade e bom humor (: 
Ilustrações com trechos de músicas de bandas como The Beatles, Coldplay, Pearl Jam, Metallica... 

Flickr Rahma Projekt


Chocolate are Girl's Best Friend



Em tempos de crise hormonal, quem pensa em diamantes?

      Drummond disse uma vez que há duas épocas na vida em que a felicidade está numa caixa de bombons: na infância e na velhice. Tudo bem, eu o perdôo. Drummond não nasceu mulher, nunca teve TPM. Ele não sabia que há um época do mês, durante toda uma vida, em que a felicidade da mulher mora bem ali: no doce sabor de um bombonzinho. Mentira minha? Ah, não sei, não. "Naqueles dias", meu bem, só um docinho na boca para salvar o humor e acalmar os ânimos. Claro que - se possível - queremos colo, elogios e um bom cafuné. Mas chocolate - ah chocolate não tem erro! Ele sempre está ali. Nos acalmando... Nos esperando... Mandando baldes de serotonina para o nosso corpo desassossegado. Um namorado também ajuda. Ou não. Quem não nasceu mulher nunca vai saber ao certo como é ser mulher. Como é ter um monte de hormônios no comando, nos deixando assim: a mercê de toda a nossa loucura. Ah, Deus tenha piedade de nós! (E de todos os homens que aguentam as nossas maluquices!). Temos direito universal de sermos loucas e complicadissímas uma vez por mês e, mesmo assim, continuarmos sendo amadas e queridas por nossos amigos e amores. Já ouvi dizer que TPM é frescura. Eu confesso que não é. Ficamos chatas de verdade e ninguém - em são consciência - quer parecer chata. (Afinal não somos burras. Ou somos?). As vezes fico irritada. Em outras, fico emotiva e comovida com todas as dores do mundo. Por favor grifem essa parte: com todas as dores do mundo. Sofro por todas, por tudo e choro. Choro vendo o Jornal Nacional, choro ouvindo música, choro por ver um humilde e pobre velhinho vendendo picolés no sol escaldante ou porque tirou o botão para pagar o pão achando que era moeda...(Ah, não!!!). E choro - copiosamente e sem fim - vendo as reprises de Greys Anatomy (por que todo hospital resolve morrer bem no dia em que fico menstruada?). E a mão do doutor treme, o mundo treme, o queixo treme, o humor se altera e os homens - nossa! - como eles tremem! Morrem de medo de nós porque não sabem o que os aguardam. (Se a gente mesmo não sabe, imagine eles!).
   Por isso, hoje, num dia incrivelmente comum onde nada lá fora acontece e dentro de mim TUDO ferve, eu resolvi escrever esse texto. Porque vários bombons foram atraídos para o meu contexto super hormonal e consumidos sem a mínima culpa (sim, nesse período, não existe espaço para culpas!). E agora, SÓ AGORA, posso dizer com a maior certeza e doçura do mundo: CHOCOLATE É O MELHOR AMIGO DA MULHER!

Desapego

Ser desapegada é não se importar de ficar solteira, é não ter medo de sair e voltar sozinha pra casa, é conseguir assistir um filme sem chorar imaginando o porque que a sua vida não é exatamente igual, é estar com alguém e não ter medo perdê-lo. Ser desapegada é saber que o amor próprio é capaz de te aquecer em noites frias e ter certeza de que homem não é insubstituível. Sempre terão outras histórias, novos perfumes e outros abraços de moletom.

Ser desapegada é ser mais você, é se amar antes de amar qualquer outro. Você pode estar namorando, mas se ele quiser te largar... Ok, adeus. Do meu lado apenas quem quiser estar. 

O melhor de viver desacreditando das pessoas, é que um dia iremos nos surpreender com alguém que valha a pena acreditar.

 Isabela Freitas

domingo, 28 de abril de 2013

''vai ouvir um disco legal, rir, ser sozinha um pouco''


“Apenas seguir em frente. Primeiro, porque nenhum amor deve ser mendigado. Segundo, porque todo amor deve ser recíproco.”
— Martha Medeiros

você acaba de perder a mulher da sua vida


Eu tenho uma notícia não muito boa pra te dar. Meu amigo, você foi um grandíssimo filho da puta com ela, pelo o que parece. Não sei muito bem da história, mas sei dela. Sei que ela se escondeu de todo mundo por uns dias e chorou tanto que o rosto ficou inchado e os irmãos mais novos tinham medo de que ela morresse de alguma doença que transforma os outros em zumbis. E ainda tem o fato de que ela nunca soube lidar direito com rejeições amorosas. Ah, a menina é linda e mimada, você esperava o que? Ela é bem do tipinho que esnoba, esnoba e esnoba mais um pouco. Até que aparece um imbecil qualquer e se desinteressa por ela. Esse ponto da história é importante, veja bem: você se desinteressou por ela. Não houve interesse imediato e muito menos falta de interesse. Foi aquela coisa de olhar e pensar “bonitinha, arrumadinha, todo mundo quer, mas e daí”? Mal sabe você como essas gurias têm um faro aguçado para o desinteresse nos dias de hoje, meu amigo. E daí você cruzou a história dela.
Não sei muito bem o que ela pensou na hora. O relato não diz muito sobre isso. Mas eu sei que ela viu alguma coisa em você que lembrava um pouco dos babacas por quem ela já se apaixonou. Meu amigo, você não sabia nada sobre ela, não é mesmo? Aquela guria devia estar na faculdade ainda enquanto você já tocava violão, guitarra e baixo e ouvia um pouco de folk britânico nos finais de semana. Ela devia se preocupar em estudar para alguma prova enquanto você já pensava em como ganhar a vida e pagar o aluguel do seu apartamento. Pode falar a verdade aqui: aquele papinho de que ela era a mulher perfeita pra você era só porque ela te tirava do tédio, não era? Bom, foi o que ela disse. Mas ela limpou o rosto depois do episódio com os irmãos e a coisa toda de zumbis. E olha, parece que até viajou pela Europa pra aproveitar o clichê todo que foi ter que te esquecer.
Cá entre nós: o que você fez pra ela? Ah, sim, seu crime inafiançável foi a insensibilidade. Teu problema foi querer e querer e querer e nunca estar satisfeito com nada. Cruel, hein rapaz. Isso não se faz com mulher nenhuma. E você foi tão idiota em não perceber que foi uma baita sorte encontrar com ela por aí e ela ainda te notar. Agora ela já voltou e disse que não precisa mais de você. E você não deixou nenhuma marca, cicatriz ou sequela. Ela me disse que vai achar um cara legal que queira alguma coisa. Esperança bonita a dessa garota, hein.
E ela não era do tipo pra se conformar, meu amigo. Era do tipo que rendia uma história, dois livros e muitas noites bem vividas. Babaca! Opa, usei a exclamação sem querer. Veja só, ela anda melhor que antes. De infantil a mulher crescida. Nada que uma decepçãozinha não faça. Os pais se espantaram quando a menina mimada decidiu se formar logo e bancou o próprio apartamento. Não se fez de difícil pra vida, não. Levantou, sacudiu a poeira e pegou a liberdade dela. E tem encontrado caras legais e histórias fantásticas por aí. Bem, isso é o que diz essa carta que eu encontrei dentro de um livro na biblioteca. Não conheço a menina, mas pelo o que ela me diz aqui, ela está bem melhor agora. E quem perdeu foi você, meu amigo. Você acaba de descobrir que perdeu a mulher da sua vida.
— Daniel Bovolento



POEMA QUE ACONTECEU

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

                                                           
                                              .Carlos Drummond de Andrade.

sábado, 27 de abril de 2013